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Aromas do Oriente e a Dança com Turíbulo

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Incenso (do latim: Incendere, “queimar”) é composto por materiais aromáticos chamados bióticos (originado por seres vivos – no caso, plantas) que liberam fumaça perfumada quando queimados.

O “incenso” refere-se a substância em si mais do que o cheiro que ela produz. Usado em cerimônias religiosas, rituais de purificação, aromaterapias, meditação e para a criação de um estado de espírito, o incenso é composto por materiais provenientes de plantas aromáticas, muitas vezes combinados com óleos essenciais.

O uso do incenso originou-se no Antigo Egito, onde as resinas de goma e resinas oleosas de árvores aromáticas foram importadas das costas da Arábia e Somália para serem usadas em cerimônias religiosas.

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Foi a partir daí que o incenso de resina, extraído do tronco de algumas árvores originárias dessas regiões começou a se difundir e conquistou status de uma das mais sofisticadas e valiosas substâncias no mundo civilizado. Como um presente digno de reis e com valor equivalente ao ouro, em sua trajetória o incenso chegou a ser objeto de cobiça de grandes culturas.

Por quase dois mil anos comerciantes árabes conduziram grandes caravanas de camelos ao longo de trajetos que se estendiam por quase quatro mil quilômetros, mais tarde, esta via foi chamada A Rota do Incenso. Em linhas gerais, a Rota saía de Omã, descia para o Iêmen, Aden e subia para a costa ocidental da Arábia Saudita, através de Petra, uma fortaleza quase impenetrável, e então seguia para a Terra Santa, de onde grandes quantidades de incenso de resina eram expedidas para os impérios do velho mundo. Algumas dessas caravanas compreendiam mais de mil camelos, carregando mais de 200 quilos de incenso, cada. Era uma jornada perigosa que passava por montanhas rochosas e por desertos extremamente áridos. A Rota do Incenso foi tão percorrida que pode ser identificada por imagens de satélite.

Rota do Incenso é um sí­tio classificado pela UNESCO em Omã. Inclui árvores de olíbano (franquincenso) e os restos de um antigo oásis para o tráfico de caravanas, essencial nos tempos medievais do comércio de incenso. Abaixo imagens de diversas paradas da Rota do Incenso.

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A Rota do Incenso foi um caminho que abrangeu mais de 1.200 milhas usado por comerciantes para carregar incenso e mirra do Iêmen e Omã através do deserto do Negev, até o ponto do Mediterrâneo em Gaza. A rota leva cerca de 62 dias para ser percorrida, de acordo com o autor romano Pliny the Elder, com cerca de 65 paradas ao longo do caminho onde os comerciantes e suas caravanas de camelo poderiam descansar, recarregar e vender seus bens. Geralmente, um dia de viagem traria a caravana para a próxima parada. 

O comércio do incenso era sagrado, cheio de riscos e de lendas, e seu uso perde-se no tempo.

O incenso era uma resina altamente valorizada e preciosa no país do Nilo, por seu bom cheiro. Estava relacionado com o aroma dos deuses; isto é, era uma parte intangível da divindade, seu “cheiro”, seu “suor” o meio pelo qual eles estavam presentes.
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Entendeu-se que ele tinha habilidades mágicas e que possuí­a a faculdade de repelir e afastar as forças do mal. Além disso, graças a coluna de fumaça produzida pela queima, um caminho rápido e seguro foi aberto para orações para alcançar os deuses e para os Ba do falecido se moverem rapidamente. Foi queimando incenso que o rei ou os sacerdotes se aproximaram da imagem do deus.
Serviu a fazer oferendas aos deuses e às múmias, bem como a fumigar o corpo. Através do incenso, os deuses poderiam manifestar-se; isto é, a fragrância do incenso foi aquela que anunciou a presença do “divino” e, portanto, esse incenso também poderia transformar o falecido em um estado próximo ou igual ao dos deuses.
Nos Textos das Pirâmides, percebe-se que o incenso foi produzido graças as lágrimas dos deuses, por isso tinha qualidades sobrenaturais.

Diz-se que a Rainha de Sabá construiu um palácio no antigo porto de Zafar, agora Salalah, Omã, para onde ela viajava para comprar incenso.

Heródoto descreveu um grande número de criaturas parecidas com pterodátilos guardando árvores de incenso de resina na Arábia, tornando sua colheita um perigoso desafio. Disfarçados em pele bovina, os lavradores espantavam as criaturas com fogo e fumaça odorosa. As valiosas árvores que derramariam lágrimas de bálsamo seriam guardadas por ferozes serpentes aladas que fariam um ataque letal ao intruso que se aproximasse.

 

O incenso e a mirra eram nativas de árvores que cresciam na Etiópia, Somália e sul da Arábia.

O incenso e a mirra eram nativas de árvores que cresciam na Etiópia, Somália e sul da Arábia.

Em Alexandria o incenso era tão valioso que os escravos que o colhiam eram obrigados a trabalhar quase nus, usando apenas uma pequena tanga, para não o roubarem em suas roupas. Havia reis que pagavam por suas esposas favoritas seu peso em incenso.

O ápice do comércio de incensos de resina se deu durante o Império Romano, no primeiro século a.C. – o imperador Nero, por exemplo, costumava queimar enormes quantidades dessa preciosa substância em cerimônias religiosas.

Durante o feudalismo, o “direito de incenso” era o privilégio do Senhor de ser incensado durante as cerimônias, como são os eclesiásticos no altar-mor das igrejas.

Em toda a antiguidade a resina perfumada não era queimada somente nos templos. Seu uso era comum também nas casas, onde cumpria o papel de higienização do ambiente.

Considerada uma das mais antigas formas de purificação, e como sí­mbolo de festividade, de honra, respeito ou sacrifí­cio, a incensação tem sido parte de várias tradições religiosas – do cristianismo ao hinduí­smo, dos índios americanos aos monges budistas do Tibet, dos muçulmanos aos africanos.

É considerado um instrumento para levar paz ao coração e aplacar tensões, predispondo à meditação e acendendo nos ânimos o fervor que favorece o contato com a divindade

 

 

 Dança com Turíbulo

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É uma dança ritualística de origem muito antiga, associada à adoração dos deuses egípcios. As sacerdotisas dançavam conduzindo um turí­bulo com ervas aromáticas, que ao serem queimadas produziam uma fumaça que depurava o ambiente, desta forma preparando os templos para as cerimônias.

A dança com o turíbulo é feita pelas dançarinas da atualidade na abertura dos shows. Seu propósito é purificar e limpar o astral de todo o ambiente afastando energias negativas. É uma dança envolvente que beneficia a todos e ao local também. Essa dança trabalha o elemento “Ar” da natureza (Sílfides ou Fadas).

O turíbulo geralmente é feito em metal, em formato de pote com tampa onde é colocado o incenso aceso, possuindo aberturas que possibilitam a liberação da fumaça. É indicado o uso de incenso em pedras, de sândalo, mirra ou outras essências com propriedades de limpeza.

Deve ser bem lacrado para que se possa dançar com liberdade e em segurança. É sustentado por correntes, possuindo uma argola na parte superior por onde é conduzido.

Durante a performance são feitos movimentos pendulares, nas laterais do corpo, de forma circular em volta do corpo, também em giros eleva-se em vôos horizontais. Podem ser feitos movimentos circulares verticais para frente e para trás, bem como oitos.

O turíbulo pode vir associado com a dança ritualística Zhar, onde um homem incensa a cabeça da dançarina com o turíbulo para afastar os espíritos e energias negativas.incensario9

 

Fontes:

Livro O Ventre que Encanta por Níjme

Artehistoriaegipto.blogspot.com.br

www.smithsonianmag.com

 

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