Aulas de Dança do Ventre em Brasilia

Danças Africanas – Cabo Verde

Os bailes em Cabo Verde tinham e têm uma função fundamental na organização de toda a comunidade à volta de momentos de convívio e confraternização -“quando dançamos ficamos e felizes”- dizia um velho conhecido. As músicas estão ligadas por um cordão bem forte, derivado talvez da relação muito estreita das suas origens primordiais. Os bailes eram animados por grupos acústicos com violino, violão, cavaquinho, bandolim ou banjo, que mantinham uma relação estreita com o lançador que com os seus passos e momentos de improvisação influenciava e acompanhava o músico solista na sua maneira de tocar e este, por sua vez, a ele.

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        Assim nasceram nas salas e nos terreiros, músicas e danças que hoje fazem parte do panorama cultural de Cabo Verde. É claro que a dança também teve transformação, que acompanhou os tempos e a mudança de mentalidade, como também teve influências exteriores, de fraca representatividade. Aquilo que era gosto de dançar, tornou-se, com o tempo, gosto pelo sensual, pelo ligeirismo e a banalidade que atinge por vezes o vulgar. É de realçar que algumas danças cabo-verdianas acabaram por cair em desuso, perdurando somente o gênero musical correspondente, como é o caso do Landum.

        As danças de pares (Coladera, Morna, Funaná, Mazurca) “são danças em que o homem possui, como quase toda a cultura do mundo da dança, o cavalheiresco modo de dirigir os passos a seu belo gosto. A sequência dos passos dependente do virtuosismo dos dançarinos e, de certa maneira, do espaço da sala”.

  • Morna: é o estilo mais lento da dança e que mais traduz o sentimento cabo-verdiana, como, por exemplo, a tristeza, a nostalgia e os problemas existentes. Dança-se em dois estilos essenciais, que são estilo lento e mais virtuoso, ou seja, ” talvez mais vivo e dinâmico”, que se chamara de “estrimbolca”, que é à base de contratempos (talvez a origem da dança Coladera terá surgido neste andamento, estilo lento fazem as seguintes marcações: os passos são feitos em marcação quaternário (dois passos à frente, dois passos atrás).
  • Coladera: é um estilo mais vivo que a Morna, tem cadência quaternária, em que a relação do cavalheiro e da dama é feita junta, num arrastar de pés, com momentos de improvisação do cavalheiro que se afasta sobre o olhar da dama (1).
  • Funaná: gênero de música e dança cabo-verdiana característico da ilha de Santiago, que tradicionalmente animava as festas dos camponeses. É a mais frenética e rápida das danças de pares de Cabo Verde, geralmente acompanhada de uma concertina, onde o ritmo é produzido pelo esfregar de uma faca numa barra de ferro. Nesta dança o cavalheiro joga sobre o ritmo uma base andante de longos solos compostos por momentos fortes de pausa /exaltação até ao auge ou “djeta”, gritos, exibindo a todos a sua virilidade e dotes de grande dançadores. O Funaná é conotada como dança de transe.
  • Contradança e Mazurca: são danças de grupo importadas das cortes europeias, que geralmente tinham na base estrutura coreografadas com mandadores, e que acabaram por sofrer alterações ao chegarem ao terreiro. Na Mazurca de três tempos, alegre e sincopado, o papel dos pares está intimamente ligado à movimentação em grupo. São gêneros dançados sobretudo nas ilhas Santo Antão, Boavista e São Nicolau.
  • Kola San Jon: jogo dos tambores e dos apitos no dia de São João, ligado ao ritual da fertilidade da terra no solstício de verão. Os pares batem-se cadencialmente entre si. Dança da Umbigada.

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Fonte: Texto de António Tavares (Bailarino Coreógrafo).

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