Flexibilidade na dança!

diana-faceFotografia da dançarina Diana Arássad por Aquenáton Barbosa.

 

Várias definições para o conceito de flexibilidade são hoje consideradas sendo que nenhuma delas é vista como única. Ela pode ser definida como a capacidade dos tecidos corporais esticarem sem danos ou lesões e com ampla movimentação numa articulação ou grupos de articulações e como a capacidade de uma articulação mover-se com facilidade em sua amplitude de movimento.

Ter uma boa flexibilidade nos permite desfrutar de um corpo com movimentações mais livres e com uma menor possibilidade de sofrer lesões, facilitando a execução de movimentos, mostrando-se como um elemento importante no desempenho de modalidades corporais.

Uma boa flexibilidade facilita a execução técnica dos movimentos, onde músculos e articulações tem sua capacidade mecânica aumentada, economizando energia durante o esforço, evitando alterações patológicas quando o corpo é exigido em limites maiores.

A flexibilidade na dança é um elemento fundamental, pois esta arte agrega desde movimentos amplos até movimentos menores que dependem de certo grau de mobilidade das articulações, tornando-se um dos fatores responsáveis pelo desempenho técnico do dançarino.

A flexibilidade pode ser alterada por fatores internos (endógenos) e externos (exógenos), variando de acordo com a idade, gênero, ambiente, temperatura e hora do dia, além de vários outros fatores que devem ser analisados individualmente para serem trabalhados com maior precisão.

A mulher possui naturalmente uma maior flexibilidade do que o homem, por seus tecidos musculares serem menos densos. O sexo feminino apresenta maior capacidade de alongamento e elasticidade da musculatura, ligamentos e tendões. Isto pode ser explicado por diferenças na composição corporal, retenção de líquidos e nas diferenças hormonais. Esse atributo é aproveitado em modalidades onde coordenação motora, movimentos detalhados e flexibilidade são mais exigidos, como por exemplo na ginástica rítmica, que é executada apenas por mulheres.

No homem o tecido muscular é mais desenvolvido devido à ação do hormônio masculino testosterona, o que proporciona um desenvolvimento muscular maior. Desta forma modalidades esportivas que dependam de força, potência e velocidade são aproveitadas mais facilmente e os de flexibilidade com maior dificuldade.

Há ainda o fator genético e claro a prática e intensidade dos treinos que influenciam no resultado final dos arcos de movimento.

A mobilidade das articulações são maiores na infância e para que se mantenham é preciso que se desempenhem atividades com alongamentos de acordo com a faixa etária, individualidade biológica e a modalidade escolhida.

Na dança do ventre a flexibilidade é percebida na leveza e suavidade dos movimentos, apresenta-se nos cambrés, nos trabalhos de tronco, mãos, braços, movimentos de solo e até mesmo nos trabalhos pequenos de quadril que exigem mobilidade e habilidade da região pélvica.

A flexibilidade representa também a nossa capacidade de lidar com questões em nossa vida, de contornar e ser flexível a mudanças. Quando temos dificuldade em nos alongar nossos músculos e articulações podem estar dizendo algo a mais do que apenas não estar alcançando um pé e sim mostrando questões emocionais com as quais não estamos conseguindo lidar. Deixe ir o medo de mudar atitudes, as tensões e limitações serem substituídos pela capacidade de encontrar respostas diferentes para uma determinada questão, pelo entendimento de uma situação de pontos de vista diferentes daquele que costumamos ver e pela confiança no processo da vida!

 

Texto: Diana Arássad, arte-educadora formada pela FADM, professora e bailarina de Dança Oriental Árabe formada pelo Método Acadêmico Suheil de Ensino, ministra dança do ventre e danças brasileiras em seu Projeto Ventre Brasil em escola pública.

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