Ventre Vivá, forte como a natureza

VENTRE VIVÁ

forte como a natureza

Saiba como foi gerado e como serão as atividades desse projeto que envolve danças étnicas e práticas meditativas.

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O nome Ventre Vivá 

Ventre, de onde todos somos gerados, de onde nasce a vida e a toda a criação.

Vivá, uma palavra da língua dos ancestrais brasileiros Tupis, que significa Forte como a Natureza.

 

O que gerou Ventre Vivá? 

Vivemos um cotidiano desligado da nossa realidade interna e da nossa vivência com a natureza. Perdemos as nossas sensibilidades e nossos sentidos, esquecemos que assim como os demais animais fazemos parte dessa natureza. Não a vemos e não sabemos perceber seus pontos de força que nos vitalizam.

Não sabemos usar o corpo de forma saudável e criativa, muitas das vezes sendo explorado como objeto de sadismo, fetiche ou de repressão. Expressar-se com o corpo é ainda visto como feio, mundano ou pervertido. Assim o colocaram e assim é propagado.

O nosso corpo que nos foi doado pela força divina foi transformado em algo pecaminoso e deturpado. Não é permitido sentir prazer com o nosso corpo ou admirá-lo como ele é se ele estiver fora de um padrão de consumo. Assim, ele foi minimizado e perdeu suas várias possibilidades de ser e expressar.

O corpo carrega histórias, pessoais, de experiências de troca e de cultura. Um corpo em movimento é sentimento, sensação, experiência vivida, é também ancestralidade e cultura num bailado, é tradição, costume, representação, é vida, é energia.

Vivemos mergulhados em desequilíbrios do feminino e do masculino, constantemente nos visitando no nosso dia-a-dia, em nossa vida, por onde passamos ou vivemos. A mulher foi para a guerra e o homem já não sabe mais o que fazer, como irá se afirmar. Ambos estão buscando seu equilíbrio e algumas vezes tomando o do outro como seu acaba caindo no desequilíbrio do pólo oposto.

Estamos sentindo essa ausência e esse desejo de não se sabe o que. Algo muito importante foi esquecido, mas com tantas distorções, tantos controles e subordinações já não sabemos respirar e sentir o que é, nem onde está. Todos queremos voltar para a casa mas não sabemos mais a trilha por tanto tempo esquecida.

Somente voltando para casa, para as nossas essências, é que encontramos o caminho de volta. Dançando a presença do nosso corpo com nosso ser e com sua expressividade, suas forças movimentadoras divinas e ancestrais. Dançando com a natureza e o universo, sentindo-nos como dançarinos dentro desse grande ser movimentador de energias conseguiremos nos entender como parte dele. Relembrando ao nosso corpo que há muito tempo ele conheceu essa mãe primeira de quem ele é filho, relembrar que a mãe Terra o revitaliza, relembrar que ele pode voltar para o Éden, e que todo conhecimento sobre suas forças está dentro de si. Que  voltando a esses ensinamentos nenhum mal poderá lhe assolar, saberemos conversar com a natureza e ela nos proverá saúde e abundância plenos como sequer imaginamos. Precisamos voltar como os antigos a saber ler as estrelas, saber pra onde o vento vai, o que o canto do uirapuru quer dizer. Saber falar com as plantas, o que elas podem em nós melhorar, voltar às raízes esquecidas dos ancestrais , das nossas danças dos saberes, cheias de significados, de cura e de força. Compreender quanta sabedoria tem numa flecha, num cachimbo, num chocalho, e que sem elas ficamos cada dia mais perdidos. Esses, os primeiros que aqui habitaram e tem seus segredos de conversa com a mãe Terra tão valiosos desrespeitados, desvalorizados e esquecidos. Esses antigos moradores do planeta, os nossos anciões, eles não são respeitados, nem sua sabedoria, nem seus ensinamentos. Esses foram os que dançavam para a vida, para a natureza, para as forças internas do ser humano e hoje por acreditarmos serem desnecessárias, nos tornamos perdidos, vazios e sem felicidade verdadeira.

Nossos corpos não são mais os mesmos desde quando puseram suas vergonhas sobre eles. É através dele que iniciamos o contato com o sagrado, com sua matéria raiz, com sua movimentação e geração de energias. É através dele que reverenciamos o divino em nós e fora de nós, que sentimos a existência física, que damos significado às nossas tradições, que re-produzimos ensinamentos e movimentamos energias.

O nosso corpo guarda memórias que vão sendo apagadas por não terem mais a reverência à terra, ao sol, à lua, às forças da natureza e às forças internas do ser humano. A dança perdeu o sentido de reverenciar a natureza, o divino, a existência, o ser, muita dessas já entrando num estado de objetificação e de fantasia sobre uma cultura perdida, da qual já não se vislumbra nenhuma magia de seus ancestrais, perdidos em passos que não se sabem de onde vieram e nem pra onde vão.

Precisamos nos reencontrar com esse corpo livre, divino, movimentador, gerador, criativo, feliz. Movimentar as forças ancestras através de nossos corpos.

É preciso sensibilidade com a natureza, com suas forças e seus pontos naturais, respeitar sua energia feminina em contato com nossos corpos, suas movimentações e trocas energéticas, relembrado a esse corpo que ele também faz parte da natureza.

Precisamos relembrar e viver esse mar de saberes, reverenciar as etnias e seus ensinamentos profundos, reconhecer nossos corpos como elementos expressivos e contadores dessas culturas. É preciso valorizar essas conexões com o divino, que cada povo, à sua maneira, construiu sobre costumes e tradições gerados a partir de observações dos ciclos, da natureza e da vida humana, construindo suas histórias ao longo dos milênios.

A sabedoria ancestral nos ensina, cada uma de seu modo, os elementos equilibradores da mulher e do homem de uma maneira simples e vivencial. Eles não se desconectaram da natureza como nós fizemos e com suas danças, seus cantos e seus mitos cada um desses povos nos mostra como são os masculinos e femininos equilibrados, como fomos gerados e como o mundo foi criado.

Precisamos voltar a reverenciar o sagrado, o ser, a dança e a música, a expressão de vida presente em cada cultura , em cada etnia, em cada ser, para encontrarmos o sagrado que habita em nós.

Só assim conseguiremos voltar para casa.

                                                                                            Diana Arássad

 

Objetivo do Ventre Vivá

Promover nossa reconexão com as culturas, etnias, ritualidades e sabedorias ancestrais, a natureza e o sagrado através das danças étnicas, do corpo e de práticas meditativas.

 

Programação
* Shows e apresentações artísticas de danças étnicas e ritualísticas:  ventre, cigana, afro, entre outras.

* Oficinas de dança

* Oficinas de meditação

* Palestras

Os encontros geralmente acontecerão em locais ao ar livre em contato com a natureza.

 

Público alvo

Pessoas interessadas em manifestações de danças étnicas, sagrado feminino e masculino, conexão do corpo com a natureza, encantamento pelas artes , não havendo faixa etária, classe ou profissão exigida.

 

Palavras chaves : danças étnicas, danças ritualísticas, diversidade cultural, sagrado feminino e masculino.

 

*É proibida a reprodução total ou parcial do texto sem prévia autorização do autor.

Oficina O Ventre e o Feminino - com logos menores e contato do Cena Criativa

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